O Significado Psicoteológico da Parábola do Filho Pródigo

"E dir-lhe-ei, Pai, pequei contra o céu e perante ti. Não sou mais digno de ser chamado teu filho. Trata-me como um dos teus trabalhadores." Lc. 15:11ss

Sem nenhuma pretensão de esvaziar a interpretação tradicional, menciono minha abordagem psicológica dessa parábola:

A casa do Pai simboliza o inconsciente, a camada transpessoal, o lugar-encontro entre Deus e homem, no homem.

O Pai representa o centro organizador da totalidade, que promove a saúde, o cosmos, o criativo, e a criação.

O Filho pródigo representa o ego que se rebela, se entrega aos impulsos instintivos e acaba no caos. Ao cair em si, se descobre desconectado da verdadeira vida, que até mesmo a senzala da casa do Pai representa.

De alguma forma, são as imagens de fartura e completude da Casa do Pai que lhe atraem de volta. Por si só, ele teria continuado na pocilga, pois o ego caído não se levanta sem que seja atraído pelas profundezas. Por isso, Jesus disse que "ninguém vem a mim se o Pai não o trouxer."

O filho mais velho representa a sombra: a parte rejeitada, definhada, servil, ressentida e impedidade de se expressar. Mas, o Pai insiste para que ele entre porque o lado rejeitado e ensombrado da psique, também deve fazer parte da festa, pois, a salvação sem ele não seria completa.

A saúde interior, isto é, a salvação, depende da reunião dos opostos, que produz a celebração perfeita.

O anel representa a aliança que indica a reconciliação, a reconexão, o retorno do ego pródigo à casa do Pai. Isso indica a continuação entre o inconsciente e o ego que, por mais que se afste, ainda pertence, por vocação, ao espírito, ou seja, ao inconsciente.

A desconexão com a casa do Pai, ou seja, com o insconciente, no sentido psicológico, é a fonte de toda doença, da desnutrição e palidêz da vida, da vida-pocilga. Mas no reencontro, o ser vence a não-vida

A festa representa o reencontro entre ego e inconsciente, que produz a saúde da totalidade, a alegria da restauração. A comunhão com inconciente produz vida que transforma o ego e os outros egos ao redor, por contágio.

A parábola do filho pródigo, portanto, em termos psicológicos, é o protótipo da conversão salvadora do ego caido. A doença existencial é a rebelião do ego ao sair de casa para viver longe e desconectado dos princípios da casa do Pai, o mundo interior, onde a dimensão crística (self) regula o fluxo mental e, por consequência, o comportamento manifesto. Gl. 2:20

Embora assimilando a conversão para o céu, o crente ganharia muito em aceitar, também, a conversão para o self. Isto significa que a integração com o "homem interior" (Ef. 3:16), salva, redime e santifica o ego, porque, é nesse homem de dentro que o abraço e o beijo do Pai se dão.

Um comentário:

Anônimo disse...

O Pai é Deus, o filho pródigos somos nós com a nossa tendência natural de se afastar de Deus e a volta dele é quano alguém se converte e passar ter atitudes divinas que são descritas na Bíblia.